Texto complementar 03 - Notícias do Pedal 10 (Bombas semeadas)

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Bombas semeadas
 
Sentado na frente do hotel, seis meninos na faixa dos oito anos de idade vêm até eu pedir algo para comer. Nada diferente do nosso país. "Os pais deles são viciados em ópio" diz o rapaz da recepção. Nada diferente do Brasil, onde os pais dos meninos pedintes são viciados em cachaça. Diferente do Brasil noto que no meio destes, dois são lentos ao caminhar; saltitavam. Saltitavam com uma perna de pau que parecia feita de sobras de uma construção civil. Os dois tinham a perna esquerda amputada na altura do joelho. Esses meninos são vitimas de bombas que explodiram recentemente, porem de uma guerra que terminou em 1973, a guerra do Vietnã. Mas estou no Laos, um país pequeno, montanhoso e vizinho do Vietnã. O que esse tem a ver com a guerra? Por apoiar os vietcongs e sendo o seu principal corredor fomentador de armamentos, curiosamente os americanos, durante os anos de guerra (1964-73) despejaram mais bombas no Laos que no próprio Vietnã. Crateras provocadas por essas bombas, num só olhar podem ser avistadas diversas. Até parece que os americanos experimentaram semear bombas para ver se brotava.

Estima-se que 30% das bombas lançadas não explodiram. Essas fazem 300 - 400 vitimam todos os anos. Principalmente crianças, como os garotos pedintes. A maioria das vítimas ocorreu nos primeiros cinco anos do fim da guerra, quando o povo imaginava ter encontrado algum metal precioso através dos reluzentes metais da maioria das bombas. Pobres, quase miseráveis, o povo do Laos continua a caçar bombas. Num lar, pra não chamar barraco, uma família inteira rodeava pedaços de lata de um projétil de bomba que não explodiu. Dali tinham uma fonte de renda: produzir colheres.
 
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