Notícias do Pedal 08 (Cingapura - Costa Leste da Malásia - Sul da Tailândia)
Monday, 22 March 2010 09:36 | Author: Charles Zimmermann | E-mail
Compartilhar:
There are no translations available.
Notícias do Pedal 08 (Cingapura - Costa Leste da Malásia - Sul da Tailândia)
Onde Estou: Chumpom (Sudeste da Tailândia) Quilômetros pedalados: 6910
Trilha Sonora: - Jimi Hendrix- Little wing - Depeche Mode - I fell you - Titãs - Flores
Comecei essa etapa da viagem acampando. Até ai tudo bem, mas foi acampando em Cingapura, um centro financeiro e comercial. Acampei numa praia onde na noite as luzes dos navios na espera para atracar no porto formam uma metrópole e o mar a minha frente se transformou num rio, dividindo minha barraca e os gigantes. Do céu a cada dois minutos, entre seis da manha e nove da noite, os aviões voavam baixinho já com o trem de pouso aberto pousando no aeroporto próximo. Impressionante a movimentação nesse aeroporto, assim que baixava um, no horizonte brilhava a luz de outro avião. Pedalar em Cingapura e como pedalar num parque, tão bom que se não rodar em círculo pelas avenidas e becos, em poucas horas se chega a ponte que faz fronteira com a Malásia.
Na Malásia segui em direção a Tailândia pela costa leste. Litoral com pouca população e vento a todo o momento leve como brisa e praias desertas para qualquer hora de descanso. Rica em petróleo, não era difícil avistar no fim de algumas praias, uma refinaria. Pedalar na Malásia foi "mamão com açúcar": terreno plano, asfalto perfeito e bem sinalizado. No ditado popular: estradas de primeiro mundo. Para melhorar o ambiente, diversas tropas de macacos nas copas das árvores que beiravam a estrada, cantos de pássaros dos mais diferentes e cigarras que soavam igual a mangueira sob pressão no jardim. E não é que numa manha bem cedo, um elefante aparece por alguns minutos a poucos metros. Já estava habituado com a língua, falando umas 55 palavras (Malásia e Indonésia, possuem o mesmo idioma oficial) e ai chegou a hora da Tailândia. Onde tudo muda.
Muda tanto que já de começo senti falta dos caracteres iguais aos nossos nas placas. E volto a decorar, agora em tailandês, as cinco palavras básicas que servem como cartão de visitas: obrigado, ola, desculpe, bom dia, tchau. Diferente da Indonésia e Malásia, o calor da Tailândia me consumiu e continua me consumindo..., muita água como combustível. Mas como não existe vitoria sem dor...
Os dois primeiros dias na Tailândia foram sinistros. Atravessei a região do país de maioria muçulmana onde grupos separatistas lutam a vários anos com o exército. Dezenas de centenas de pessoas já morreram e bombas continuam nos centros dos povoados. Pelo caminho, todos os povoados cercados com acampamentos do exercito rodeados por muros feitos com sacos de areia e arame farpado por todos os cantos. Um clima de guerra que até então nunca havia visto.
Passado o extremo sul foi a hora de me sentir em casa em pleno sudeste asiático. Muitos supermercados que vendem o que consumimos - finalmente vi iogurte, sorvete, cachorro quente e suco de laranja no qual realmente havia laranja. Se entende porque a Tailândia e o país que mais recebe turistas na região: sempre, todas as pessoas te atendem com sorriso. E são prestativos. Pneu furado na Tailândia - que foram muitos até então, do nada aparece uns tantos para ajudar. Se abrir um mapa, ninguém fala inglês, mas todos querem registrar seu palpite. E para aumentar a satisfação de estar na Tailândia; mulheres bonitas em todos os ambientes e ocasiões.