Notícias do Pedal 12 (Índia)Notícias do Pedal 12 (Índia) A Índia e terra de contradições e extremos. Nessa maior democracia do mundo, conhecida por suas tolerâncias religiosas, ocasionalmente explodem conflitos envolvendo muçulmanos e hindus. Em hindu, o nome da Deusa maior, Shiva, quer dizer "destruição". Ainda a palavra "namaste" usada para dizer olá, também significa tchau, até mais. A palavra "amanhã" - cul - é o mesmo que dizer "ontem". E a palavra "viajar" - yatra - significa "peregrinar". Afinal turismo para os indianos significa ir aos templos espalhados país afora celebrando do rato ao macaco. Tudo na Índia é sagrado, exceto a vida humana. Na Índia não pedalei mais que 1.000 quilômetros e por força do clima chuvoso, vou ficar nesse número. As dificuldades foram se somando ao longo do caminho. A rota estabelecida, deixando o Nepal, entrando na Índia descendo o Himalaia via Caxemira teve que ser cancelado. Problemas políticos com confrontos entre o povo local e o exército indiano voltaram a tomar conta do clima dessa belíssima região. É provável que tenho que agradecer que esse problema "explodiu" enquanto ainda estava em solo nepalês. Na busca da nova rota, deixei o Nepal pela fronteira leste, rumando a Calcutá. Num buraco invisível por causa da água que o cobria, veio o primeiro tombo de toda a pedalada. As camas das hospedagens ao longo do caminho, nesse período chuvoso estão infestadas por uma coleção de insetos que brotam do colchão e do travesseiro. São de diferentes cores e formatos, uns se parecem a pulgas, outros carrapatos. Mesmo dormindo no chão, lá vinham eles. Coceiras a noite inteira e nos pés sentia picadas. Nas pernas manchas exóticas apareceram com os dias. A diarréia também me acompanhou, tão logo que eu parecia melhorar, lá vinham novos dias de correr para a moita a qualquer hora. Quase de tudo ocorreu nessas semanas de Índia. Até um macaco pulou dentro do meu quarto atravessando de uma janela para outra num fim de tarde. A Índia é como uma cidade grande. Se você não a usa, ela te usa. Dessa vez me sinto usado por ela. Ainda, a Índia não é a Índia se não encontrar indianos para ouvir suas filosofias quanto ao que gira ao redor. Em Calcutá encontrei um sadhu - o homem sagrado do mundo hindu. Quando estive com ele na beira do rio Ganges observando pessoas dentro do rio se banhar, escovar os dentes e tomar aquela água sagrada, e ao mesmo tempo metros acima, também dentro do rio, outros urinando e defecando, cinzas de um crematório sendo arremessadas, disse a ele: - Não entendo como essas pessoas podem conviver com um rio tão poluído. Sem titubear ele responde: "a poluição está na sua cabeça e não no rio". O próximo passo será pedalar pelo Oriente Médio. Nessa semana, da Índia voarei ao Egito. Veja as fotos da Índia nas Imagens da Volta ao Mundo.
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É a quarta vez que venho para cá. Nunca com o objetivo de me converter e sim aprender. Sempre que aqui estou, em alguns dias me faço a seguinte pergunta: o que estou fazendo aqui? De tudo acontece e de tudo vejo. Tem dias em que pela manhã penso em ensacar a viola e a na tarde tudo se transforma. Parece que aquela manha não pertenceu ao mesmo dia.
Sabia que por ali, como em quase toda Índia - exceto na área da Caxemira, havia chuvas. - E por que não enfrentá-las? Quando adolescente li num livro que as chuvas na Índia podem matar uma pessoa de tão forte que são os pingos. - Agora acredito. As chuvas são intercaladas; duas horas de chuvas e umas cinco, seis de sol com umidade nas alturas, não permitindo nenhuma peça de roupa secar. A maior dificuldade é que quase tudo alaga. E por dias. As crianças fazem a festa tomando banho nos alagamentos. As mulheres aproveitam para lavar as roupas. Os homens reunidos, não se importam em tomar seus chás sentados com a água na metade das suas canelas. E os ratos morrem afogados. Muitos boiando nas bordas dos alagamentos. 



