Nos Confins do Oriente: Irã

Partimos para um enorme bazar com três quilômetros de largura. Fundado a mais de 1000 anos, aqui se acha de tudo e principalmente carpetes, que a beleza impressionou até Marco Pólo, que menciona em suas aventuras esse mercado. Percebo neste mercado, em aglomerados de pessoas, ou andando pelas calçadas, que os homens, sejam eles a que classe pertençam, sempre andam vestidos socialmente, nunca dispensando o blazer. Isso não é só uma característica somente dos persas, percebi isso nos turcos mais conservadores também.
No fim da tarde sentamos em uma das inúmeras casas de suco: feito em processo artesanal. Colocadas, fruta por fruta em um recipiente adaptado, é amassada e coada. Mesmo com o calor, não tomavam com gelo. Alipaer diz que Tabriz por ser uma cidade universitária, muitos jovens querem praticar inglês. (Vi também outros viajantes no mercado com jovens iranianos colados nos ouvidos).
Diz ele que “devemos nos cuidar, porque a princípio estudantes não podem falar com estrangeiros, muitos vezes, em ambientes como esse, as paredes ouvem”.
Ele fazia perguntas que davam à impressão de ter saído de anos em coma. Ele era estudante de engenharia, e não tinha noção nenhuma de como é o mundo fora de seu país. Pede como nos vestimos no dia-a-dia, se é verdade que transamos com as garotas antes de se casar, se bebemos álcool, ou fumamos. Fiquei até pensando que esse rapaz de 22 anos era somente mal informado, mas conforme os dias no Irã foram passando, vi que esse rapaz era um retrato fiel da juventude iraniana. Todos loucos por notícias do ocidente. Pergunto de sua família, ele responde que seu pai faleceu em um acidente, mas possui mais dois irmãos. Reclama que seu pai morreu por falta de equipamentos adequados no hospital e que é de investimentos tecnológicos que esse país precisa.
Pedi a ele que me acompanhasse até a hospedagem, onde eu entregaria um presente que lembrasse o Brasil. Após comentar que era fã do futebol brasileiro, dei a ele uma camisa da seleção. O rapaz ficou extremamente contente, e falou o seguinte: “muito obrigado, como infelizmente meu governo proíbe usar camisetas desse tipo em público, irei usá-la no futebol com meus amigos”.
Com a saída do rapaz fico na recepção tentando dialogar algo com o recepcionista. Mas a nossa comunicação era rabiscar desenhos. Mesmo assim eu estava tentando pegar umas cinco palavras em persas: por favor, obrigado, desculpe, olá e como vai. (...)



