Terra Estrangeira

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Pé na estrada

Passei praticamente o ano de 2007 na estrada, e grande parte de 2008 para escrever os relatos deste livro. Se em meu primeiro livro, “Nos confins do Oriente”, compartilho os mais de sessenta mil quilômetros que percorri da Europa ao Extremo Oriente, e em “Estrada para o grande deserto” mergulho no Oriente e na África, desta vez apresento minha viagem mais visceral, e também mais humana. Viajei milhares de quilômetros para encontrar pessoas. São elas que povoam minhas lembranças. O que fica na minha memória, não são os lugares, e sim as pessoas. 


As pessoas são o foco deste livro. Um encontro extra-ordinário e fascinante que foi também uma grande lição de humildade. Sim, o mundo nos ensina a sermos humildes. Mais uma vez regressei de uma viagem com vergonha da minha ignorância, da minha falta de cultura e saber. Conscientizei-me de que as culturas diferentes da nossa não nos revelarão seus mistérios apenas porque queremos conhecê-los.


Viajar por meses é uma rotina exaustiva, e as viagens causam dependência e assim como as drogas, podem modificar o físico de uma pessoa até convertê-lo em uma magreza esquelética. A solidão permitia por em ordem meus pensamentos e transcrevê-los para o diário que acabou servindo de base para esta publicação. Uma viagem de dois caminhos: àquela que desfilava diante de meus olhos e ao mundo interior da memória. Uma combinação perfeita. 


Meu destino foi sempre viajar da maneira que puder, sem me inquietar com um destino exato. Viajar era uma maneira de passar os dias, mas como concluí com as viagens anteriores dependia em grande parte da imaginação e da fantasia. 


O mundo é uma mistura de gente, de línguas, de origens, trajes e aparências, e está em constante mutação. É impossível dizer que as tribos mais isoladas na África, ou na Indonésia ou no sopé do Himalaia, não estão se transformando. A globalização é um fenômeno irreversível (mesmo assim, alguns lugares pareciam parados no tempo).


Foi uma volta ao mundo e os continentes são enormes, mas não inalcançáveis. Com grande alegria, quando parti, me preparei para, além de ser um implacável observador, aproveitar a oportunidade de viver uma interminável série de experiências, com novos conhecimentos, descobertas e vivências. Motivado com esses pensamentos otimistas, lá fui eu mais uma vez. Tudo começou num barco na Amazônia, que seguiu Colômbia adentro, depois passei pela Venezuela, América Central e Cuba. Do outro lado do mundo um novo começo, porque daqui até o México, os costumes não mudam radicalmente. Das muitas ilhas filipinas para as intermináveis ilhas indonésias. Do Himalaia nepalês para o Himalaia indiano. Antes, uns dias em Bangladesh. O primeiro pensamento que me ocorreu foi fugir de Bangladesh e voltar para minha casa. O caos urbano é assustador. No mundo em transformação, caio na Palestina, onde a ocupação proíbe o homem de resolver suas questões a seu modo. Ela interfere em toda vida e em toda morte também. Interfere no ir e vir. É um mundo armado até os dentes, a palavra paz hoje é tema para poetas.


O caso de Ruanda não está fora dos costumes africanos. Um africano massacra por causa da raiva ou fome na boca do estômago. Ou massacra para confiscar diamantes e coisas do gênero. A África contemporânea é o teatro de diversos genocídios. Inúmeros africanos penam para conceber ou admitir essa realidade.


Na viagem tive medo de ser vítima do “eurocentrismo”, isto é, da convicção de que uma língua européia era mais importante que a do país em que eu estava visitando. As pessoas que eu encontrei nas ruas, faziam-me sentir envergonhado por não falar e conhecer as línguas e dialetos locais. A língua é a carteira de identidade dos povos, e mais do que isso, o rosto e a alma; é por essa razão que conflitos motivados por causa de diferenças sociais, religiosas e nacionais podem degenerar em guerras lingüísticas.


Para mim a Índia sempre é um caso a parte: um povo curioso. Para eles, toda espécie de vida parece sagrada, menos a vida humana. Mas o próprio Brasil, por onde comecei minha viagem, em plena selva amazônica, também se apresentou diferente aos meus olhos (como vocês podem ver no capítulo seguinte). Então, caro leitor, seja bem-vindo ao caminho da aventura, que busca sobretudo apresentar o modo de vida destes povos, cada qual em sua própria terra estrangeira.

 

Leia trecho: Daca: O esgoto do Himalaia

 

Deserto Feliz

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O cronista é ao mesmo tempo cúmplice e delator da vida pública e cabe a esse carrasco (ou bobo da corte) auscultar a sociedade, procurar enxergar seu tempo, para honrar Chronus (de onde a palavra Crônica descende), deus do tempo na mitologia grega. Quando me perguntam o que é uma crônica, respondo de pronto: uma conversa despretensiosa entre o autor e o leitor. Mas por trás da aparente simplicidade da crônica, porém, existe um trabalho estilístico que faz da crônica a mais agradável e cativante porta de entrada para o mundo das letras. Depois do sucesso de seus três livros com relatos de viagens, Charles Zimmermann retorna com essa seleção de suas melhores crônicas publicadas em jornais do sul do país.

São quarenta e nove textos que refletem o olhar aguçado de quem já viajou por mais de setenta países e sabe mesclar ironia com a linguagem coloquial, casos pitorescos e lembranças pessoais, viagens e leituras, memória e invenção.

Este “Deserto Feliz” mostra o quanto pode ser árida ou pantanosa uma existência, mas também que a esperança é o único raio de sol possível.

 

Leia trechos: Homens Gabiru | Escravos de olhos azuis

 

Estrada para o Grande Deserto

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De trem, camelo, ônibus, barco, carona e bicicleta, Charles Zimmermann, carregando apenas sua mochila, pode vislumbrar as alegrias, disparidades e esperanças de 13 países: Turquia, Síria, Líbano, Jordânia, Egito, Sudão, Etiópia, Quênia, Gana, Burkina Fasso, Mali, Mauritânia e Marrocos. E novamente divide com o leitor sua busca incansável pelo conhecimento e a compreensão das diferentes culturas endêmicas. Em cada país, relatos, ora tocantes, ora divertidos mas, acima de tudo, uma visão diferente, excepcionalmente humana.


Leia trecho: A caminho do Saara

 

Nos Confins do Oriente

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Para alguns, uma viagem longe do paraíso, para outros, perto do coração. Munido de uma mochila e uma curiosidade avassaladora, Charles Zimmermann percorreu sessenta mil quilômetros por terra da Europa ao extremo oriente em nove meses. Cerceando países como Turquia, Irã, Paquistão, China, Vietnã, Camboja, Laos, Tailândia, Malásia, Cingapura, Mianmar e Índia descobriu a riqueza cultural e a simpatia de povos díspares, alguns em busca de guerras, outros de paz. Nos Confins do Oriente relata a sua odisséia, uma viagem fascinante e divertida, ricamente ilustrada com mais de cem fotos coloridas que deixará profundas marcas no leitor.

 

 

Leia trechos: Introdução | Irã | Paquistão | China | Índia